O que eu quero dizer com o termo “sair da cama dos pais”, ou melhor, “sair do meio dos pais”.
A criança tem a fantasia que pode salvar os pais. Quando existe muita briga entre um casal, filhos acreditam que precisam salvar um deles, aquele que julgam mais sofrer, e se viram contra o outro, o “ruim”.
Muitas coisas podem acontecer nessa dinâmica, por exemplo, perder a força e também fazer que um dos pais se torne fraco.
Aqui tem um amor cego, uma troca de hierarquia, onde a criança acredita que é realmente maior que os pais e isso traz muitas frustrações no decorrer da vida.
Uma outra dinâmica: tudo aquilo que julgo, inconscientemente vou de encontro, e acabou fazendo coisas muito parecidas, repetindo padrões, ou trazendo pessoas para a minha vida que cometem atos semelhantes.
Mais uma situação possível é que, com o indivíduo já adulto, aquela criança ainda se faz presente. Um adulto que carrega em si o filho que ficou no meio da cama dos pais, se torna uma pessoa crítica, amargurada, raivosa, triste, e se sente paralisada, como se não pudesse sair do lugar, justamente por ainda estar lá, vivendo a mesma situação, só que agora na própria vida, com conflitos internos que não permitem que tenha plenitude.
Algumas vezes, essas brigas entre o casal não são explícitas, mas ficam marcadas nos pensamentos e nas ações de cada um. A criança tem uma capacidade muito grande de absorver brigas internas dos pais e as leva para a jornada da mesma forma que as brigas explícitas. E assim segue, com muitas dificuldades psicológicas, apresentado desequilíbrios e tensões em vários aspectos da vida, como nos relacionamentos afetivos e profissionais, desenvolvendo doenças psicossomáticas.
Sair da cama dos pais é um processo necessário para a própria evolução!



