A mãe é a encarnação da força vital, o impulso que nos direciona para nossos objetivos. Bert Hellinger e outros teóricos afirmam que o primeiro grande triunfo na vida é atravessar o canal do parto, emergindo do ventre onde somos nutridos pelo cordão umbilical. Este é o momento em que deixamos para trás a segurança do conhecido e nos lançamos no vasto e desconhecido mundo, carregando conosco a essência da vida que nossa mãe nos deu.
Diante disso, seguimos pela vida com essa força, e os primeiros anos são essenciais para nosso desenvolvimento integral. No entanto, muitas vezes, existe ali o amor interrompido, que ocorre quando, por algum motivo, a mãe ou o pai não puderam estar presentes – seja por doença, viagem, separação ou uma dor profunda que lhes impediu de olhar para a criança.
A forma como a criança encara essa separação, independentemente da duração, é crucial. Ela pode perder a confiança nessa mãe, iniciando uma nova história onde passará a vida buscando essa figura materna, assumindo papéis para ser vista, e pode carregar consigo uma vida repleta de abandonos – de pessoas amadas ou de projetos inacabados.
No movimento das constelações familiares, podemos realizar esse retorno, atravessar o abismo entre mãe e filho(a), e iniciar uma nova trajetória, agora com mais força e possibilidades. Claro que isso depende do olhar que a pessoa lança sobre a vida a partir de então e da busca constante pelo autoconhecimento dando continuidade para esse retorno aos braços da mãe.



